Um ingênuo e fechado Coração.
Estava trancado com 7 chaves, isso já tinha alguns anos.
Ninguém sabia o segredo para abrir, sabia-se, somente, que era um
terreno perigoso para se aventurar.
Até que um dia, por vontade própria, deixou-se bater por um
simpático e esperto rapaz. Seduziu-lhe com palavras e sua abstração.
Tais características deveriam ter servido como alerta, contudo o
ingênuo coração acreditava estar no comando. Cria ele que suas grades,
como de costume, cercaria e expulsaria o intruso, tal um vírus.
A fuga costumeira mantinha-se lá, tornando plausível o histórico.
Aconteceu que, em algum momento do pulsar bombeou empatia, a mais
genuína e involuntária. As grades caíram, os segredos foram revelados
na face e o perigo, que antes oferecia aos outros, mudou de direção.
O único capaz de ferir-se era o prepotente Coração. Mas, como não
queria saber de dor, ele negou, flertou e renegou todos os sentimentos
despertados pelo jovem simpático. Até que sentiu ciumes. "Mas que
insolência, aquieta-te", pensou o Coração. Pensar não convinha,
além disso, era mais ilógico que sentir. Em alguns devaneios ele criava
asas, descasava de todo o medo, apegava-se firmemente ao deleite de tudo.
Logo acordou, e percebeu que uma conversa fazia-se necessária.
O coração, acovardado, revelou tudo ao rapaz esperto e, mesmo descrente,
consolava-se imaginando que tudo seria tal como os devaneios.
Nada é como os sonhos e, durante a proza ele chorou, chorou sem querer.
Depois enganou o mundo fingindo estar saudável. Ainda não tinha a receita
de como curar-se. Sofria em silêncio, batia bem baixinho, mas ainda sim
ele pulsava pelo rapaz.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Valsa do solitário
A vida passava pela janela
e o tempo pelo relógio.
O solitário só contava compassos,
estes onde ele não estava.
Por vezes, quando chovia, aparecia
uma flauta querendo brincar.
Brincava de escorregar nas notas
e fingia ser uma gota.
Logo o silêncio habitual regressava,
fúnebre, fugaz;
o som era apenas dos segundos.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac; soava
a valsa, um ternário composto.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac;
ponteiros dançavam a dança dos tolos.
Já o solitário olhava, pensava e
contava.
Suas pausas nunca acabavam.
e o tempo pelo relógio.
O solitário só contava compassos,
estes onde ele não estava.
Por vezes, quando chovia, aparecia
uma flauta querendo brincar.
Brincava de escorregar nas notas
e fingia ser uma gota.
Logo o silêncio habitual regressava,
fúnebre, fugaz;
o som era apenas dos segundos.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac; soava
a valsa, um ternário composto.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac;
ponteiros dançavam a dança dos tolos.
Já o solitário olhava, pensava e
contava.
Suas pausas nunca acabavam.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O meu casal apaixonado
É tradição, um dia você
será a sobra da relação.
O meu casal apaixonado
é, em demasia, apegado.
Em demasia irraciocinal
e perturbado.
O meu casal é doente,
daquela doença chamada
amor, nada latente.
E, quando vivo com esse
amor, não há ardor que
acalente a minha dor.
Não há palavra que rime,
a poesia perde o vime.
O meu casal apaixonado
esbanja alegria e beijos,
não há pudor nos desejos.
Ah, o meu casal,
onde eu não caso, finjo
descaso e então me calo.
É o casal que me detém,
mesmo eu não sendo casal
de alguém.
será a sobra da relação.
O meu casal apaixonado
é, em demasia, apegado.
Em demasia irraciocinal
e perturbado.
O meu casal é doente,
daquela doença chamada
amor, nada latente.
E, quando vivo com esse
amor, não há ardor que
acalente a minha dor.
Não há palavra que rime,
a poesia perde o vime.
O meu casal apaixonado
esbanja alegria e beijos,
não há pudor nos desejos.
Ah, o meu casal,
onde eu não caso, finjo
descaso e então me calo.
É o casal que me detém,
mesmo eu não sendo casal
de alguém.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Ciclista da rua Augusta.
Ele era Francisco,
não o Chico do sertão.
Era paulista,
era malícia,
era artista e
um bom cantor.
O Brasil estava no
rosto e na fala;
ele era ciclista.
Pedalava por passeio,
por anseio e por ardor.
não o Chico do sertão.
Era paulista,
era malícia,
era artista e
um bom cantor.
O Brasil estava no
rosto e na fala;
ele era ciclista.
Pedalava por passeio,
por anseio e por ardor.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Acalento
Hoje quero precisar menos das pessoas.
Não me sentir mal com a ausência
daqueles poucos e dissimulados amigos.
Quero poder viajar o mundo e não ter
para quem voltar.
Poder nunca ter um primeiro beijo.
Hoje é o dia de desistir das pessoas,
desistir de entender suas mentes.
Quero sentir-me livre de qualquer afeto, de
qualquer apego, qualquer alento e acalento.
Deixar de me frustar, enganar-me.
Hoje é o dia de desistir das pessoas.
Não me sentir mal com a ausência
daqueles poucos e dissimulados amigos.
Quero poder viajar o mundo e não ter
para quem voltar.
Poder nunca ter um primeiro beijo.
Hoje é o dia de desistir das pessoas,
desistir de entender suas mentes.
Quero sentir-me livre de qualquer afeto, de
qualquer apego, qualquer alento e acalento.
Deixar de me frustar, enganar-me.
Hoje é o dia de desistir das pessoas.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Falta gradual
No dia em que você foi,
apertou o coração.
Aquela semana a cidade
deixou de ter sentido, e,
naquele mês tentei não
lembrar de como eu
gostei de você.
Com dois meses eu olhei
para outro, eu cantei
para outro e sonhei
com um terceiro.
Em meio ano foi como se
não tivesse sentido falta,
como se nunca tivesse
lhe conhecido.
Naqueles dias você
deixou de ter sentido.
apertou o coração.
Aquela semana a cidade
deixou de ter sentido, e,
naquele mês tentei não
lembrar de como eu
gostei de você.
Com dois meses eu olhei
para outro, eu cantei
para outro e sonhei
com um terceiro.
Em meio ano foi como se
não tivesse sentido falta,
como se nunca tivesse
lhe conhecido.
Naqueles dias você
deixou de ter sentido.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Foi saudade.
Pedi para que ela se retirasse.
A moça saiu, assim bem rápido.
Nem deu tempo de sentir saudade,
mas solidão pareceu um descompasso.
A boca estava vazia,
pedia sorrisos e beijos.
Pedia os beijos daquela moça.
Sorrisos tortos da falsa falta,
dente, ventre, cheiro e bossa.
A moça saiu, assim bem rápido.
Nem deu tempo de sentir saudade,
mas solidão pareceu um descompasso.
A boca estava vazia,
pedia sorrisos e beijos.
Pedia os beijos daquela moça.
Sorrisos tortos da falsa falta,
dente, ventre, cheiro e bossa.
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