sexta-feira, 6 de maio de 2011

Maestro

Shiiiu, vai começar.
Mãos erguidas e o um.
Infesta tudo de sons;
respira, toca, solfeja.
Os fraseados nos braços,
dois, três; sopra o vento.
Os ataques nos olhos,
áspides acordes.
Corre suave,
gestos gentis.
Todos já sabem;
fermata.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Perder

Eu tinha poucos amigos no colégio,
poucos e que me faziam rir muito.
Nunca fui o tipo de pessoa que
ia falar com as outras, que
telefonava e pergunta ''Como vai você?''.
Eu sou a amiga que ninguém
precisa ter, aos poucos
foram notando isto.
Eu sou amiga que não
vibrava muito com a sua alegria,
que não chorava com tristeza.
Mas, talvez, fosse a amiga
mais leal e verdadeira.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mercenária

Denise nunca sentira amor.
Tinha orgulho disto e ostentava
a todo instante.
Namorou com poucos homens,
achava o mundo repugnante.
Denise era tão estranha que
se dizia metafísica.
Ela se apaixonava por pessoas,
mas apenas por aquelas críticas.
Talvez fossem os cérebro que
cativassem Denise, os cérebros alheios.
Desgostava muito fácil quando
percebia, dos namorados, os anseios.
Quase sempre cogitava
morrer virgem e solteira.
Todavia era esperta e sabia:
"Preciso pensar na minha
situação financeira."

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lembranças de alguém

Tenho saudades de mim,
do tempo em que eu escrevia;
o tempo em que o tempo
para mim se estendia.
Aquele cheiro de bolo
que eu devorava por inteiro,
o colo infantil e sem nenhum lamento.
Meus pés corriam para brincar,
os mesmos pés hoje ainda correm
para não se atrasar.
Tenho saudades de mim,
de quando eu me conhecia,
saudades de saber o que eu queria.

sábado, 5 de março de 2011

Tudo que você gosta.

Então você percebe que cresceu,
está na faculdade e tem idade para beber.
Aí você percebe, depois de alguns dias,
que tudo que você queria era voltar no tempo.
Suas obrigações te roubam inteira.
Você está cansada.
O seu dever é ser a melhor no que você gosta,
mas, sem conseguir isso, você se quebra.
Aquele seu piano que reluzia sua fuga da química,
se apaga nas tentativas de fuga de Bach.
Você foge de Bach.
Você ainda gosta de tudo que gostava,
você ainda sonha tudo que sonhava.
Então, querida, qual o problema?
O problema é ver que não é a unica com talento?
Se achar sem talento?
O mundo cobra mais de você ou você se cobra muito?
Você não sabe até onde tem que ir para ser boa.
Todos a sua volta são incríveis
mas você é só aspirante.
Você não brilha mais e
o mundo se escurece depois dos sonhos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Conclusão

Percebi que sou triste.
Não foi algo inemaginável,
contudo fora negado.
Irrefutável esta condição
de solidez deprimida.
Apenas, se,
com momentânea alegria.
É rara esta situação
Percebi, além disso,
teimosia de pensamento.
Pensamentos que me atormentam
e eu continuo pensando.
Não é sem querer que penso.
Percebi que sou triste,
mas de cuja tristeza
estável e ,de mim, antiste.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poema Prostrado.

Um caco de vidro quebrado
O quebrado vidro, um caco.
O vidro, um caco, quebrado.
Um vidro, o, quebrado caco.

Um caco de vidro q
u
e
bra
d
o caco.

Conflitos embaçados

Pode ser que eu esteja errada
com essa certeza tão veemente.
Mas o que é o errado se não
o certo invertido?
Tenho certezas de espelhos.
Espelhos curvos, planos e
inexistentes.
Tenho tantas verdades
sinuosas quanto verdades
mentirosas; contudo
verdades são.
Sou axiomas refletíveis
e de transparência duvidosa.
Verdades que quando se rompem
dão-me 7 anos de azar
e cacos quebrados.

O doce

O doce está lá.
Imóvel, indesejável e desejável.
São poucos passos
até ele deixar de estar.
Eu teimo e ele continua.
Imóvel, indesejável e desejável.
Nessa hora minha mente
já deu todos os passos precisos.
Sua imagem aguça meus instintos.
O que me faz resistir?,
é um inofensivo doce.
Eu permaneço indesejavelmente
para não alcançar o desejável.
Não é masoquismo.
Mas, ceder será a prova
de que o mais inofensivo dos doces
é nocivo para mim.
Eu o desejo e ele continua parado,
tentando-me a dar os tais passos.
Eu permaneço.
Permaneço ansiando o açúcar.
Eu permaneço.
...

É nocivo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Manual

Alguém me diga, por favor, o que eu devo fazer.
Alguém me diga, por favor, como devo me portar.
Soprem, então, uma receita de como ser.
Escrevam, para mim, uma forma de alegrar.
Despida, assim, nua e crua é tão errôneo,
fraco, suponho.
Alguém me grite, por favor,que tudo é normal.
Tudo vai ficar bem, que é uma dor convencional.