sábado, 5 de março de 2011

Tudo que você gosta.

Então você percebe que cresceu,
está na faculdade e tem idade para beber.
Aí você percebe, depois de alguns dias,
que tudo que você queria era voltar no tempo.
Suas obrigações te roubam inteira.
Você está cansada.
O seu dever é ser a melhor no que você gosta,
mas, sem conseguir isso, você se quebra.
Aquele seu piano que reluzia sua fuga da química,
se apaga nas tentativas de fuga de Bach.
Você foge de Bach.
Você ainda gosta de tudo que gostava,
você ainda sonha tudo que sonhava.
Então, querida, qual o problema?
O problema é ver que não é a unica com talento?
Se achar sem talento?
O mundo cobra mais de você ou você se cobra muito?
Você não sabe até onde tem que ir para ser boa.
Todos a sua volta são incríveis
mas você é só aspirante.
Você não brilha mais e
o mundo se escurece depois dos sonhos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Conclusão

Percebi que sou triste.
Não foi algo inemaginável,
contudo fora negado.
Irrefutável esta condição
de solidez deprimida.
Apenas, se,
com momentânea alegria.
É rara esta situação
Percebi, além disso,
teimosia de pensamento.
Pensamentos que me atormentam
e eu continuo pensando.
Não é sem querer que penso.
Percebi que sou triste,
mas de cuja tristeza
estável e ,de mim, antiste.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poema Prostrado.

Um caco de vidro quebrado
O quebrado vidro, um caco.
O vidro, um caco, quebrado.
Um vidro, o, quebrado caco.

Um caco de vidro q
u
e
bra
d
o caco.

Conflitos embaçados

Pode ser que eu esteja errada
com essa certeza tão veemente.
Mas o que é o errado se não
o certo invertido?
Tenho certezas de espelhos.
Espelhos curvos, planos e
inexistentes.
Tenho tantas verdades
sinuosas quanto verdades
mentirosas; contudo
verdades são.
Sou axiomas refletíveis
e de transparência duvidosa.
Verdades que quando se rompem
dão-me 7 anos de azar
e cacos quebrados.

O doce

O doce está lá.
Imóvel, indesejável e desejável.
São poucos passos
até ele deixar de estar.
Eu teimo e ele continua.
Imóvel, indesejável e desejável.
Nessa hora minha mente
já deu todos os passos precisos.
Sua imagem aguça meus instintos.
O que me faz resistir?,
é um inofensivo doce.
Eu permaneço indesejavelmente
para não alcançar o desejável.
Não é masoquismo.
Mas, ceder será a prova
de que o mais inofensivo dos doces
é nocivo para mim.
Eu o desejo e ele continua parado,
tentando-me a dar os tais passos.
Eu permaneço.
Permaneço ansiando o açúcar.
Eu permaneço.
...

É nocivo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Manual

Alguém me diga, por favor, o que eu devo fazer.
Alguém me diga, por favor, como devo me portar.
Soprem, então, uma receita de como ser.
Escrevam, para mim, uma forma de alegrar.
Despida, assim, nua e crua é tão errôneo,
fraco, suponho.
Alguém me grite, por favor,que tudo é normal.
Tudo vai ficar bem, que é uma dor convencional.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Cotidiano versos brancos

Mas como pode ser

perdendo esses versos?

Como pode ser?,

fugindo e sem os restos.

As palavras não encaixam.

Céus, não encaixam

Cerebro revirado.

Como escrever

sem sentimentos?

Como pode ser?,

sem lamentos.

A poesia incompleta

em rimas tanto fracas.

Poesia incompleta

casual, desengonçada.

Samba-rock

Quando a conheci

usava sapatos vermelhos,

vermelhos como sua boca

e de tão negros cabelos.

Ria com deleite

da vida que gozava.

Você urgia prazer

e eu urgia sua alma.

Contava suas histórias

de viagens e amores,

eu escutava e planejava

te conquistar lhe dando flores.

Você tinha as unhas amarelas

e uma camisa de banda.

Eu não sabia quem eles eram

pois eu só escutava samba.

Eu era bossa nova,

você era rock'n'roll.

Um samba rock sem chorinho

era agora o nosso som.

Desventura de Fridda

Fridda era viciada em besouros e borboletas. Todas as
sextas ela saia com seu pote e sua vara para pegar,
olhar e devolver os bichinho. Seu quarto era recheado de fotografias
de borboletas de várias cores, tamanhos e tipos,tamanha era sua paixão por elas.
Certa sexta-feira, fazendo o que ela sempre fazia, pegou
uma borboleta azul clarinha, linda e brilhante. Resolveu gastar horas olhando a pequenina. Depois de quase 3 horas, começou a conversar com ela. Fridda poderia
estar exausta, drogada ou maluca; até onde a ciência sabe, não é normal travar diálogos com outras espécies.
-Olá Fridda!
-Como sabe o meu nome? Você fala?- perguntou para a
borboleta, com uma cara de susto e ao mesmo tempo
fascinação.
-Eu só posso falar com você- disse baixinho- Mas, por que você
me olha tanto?
-Você é tão bonitinha, não é uma borboleta qualquer. Por
falar nisso, qual o seu nome amiguinha?
-Chamo-me Jamille! Obrigada pelo elogio, gostaria de
conhecer minhas irmãzinhas?
-Adoraria.
Jamille foi na frente, guiando Fridda no meio da mata.
Ela já estava tonta pelo brilho da borboleta, mas, seu
corpo era obrigado a seguir aquele feixe de luz azul
clarinha.
Foram indo cada vez mais para o meio da mata. Até que
chegaram em um precipício.
-Venha Fridda!- disse a borboleta
Sem exitar, já hipnotizada pelo encanto da sua nova e duvidosa amiga,
ela foi. Botou seu pé para fora na grama e caiu.
Não chegava ao chão, as cores se misturavam, a borboleta
cantava e ela apenas sorria, sorria para a morte.
- Talvez besouros sejam mais leais. - Disse pela última vez Fridda.

Alma de piano - prévia.

Então caia mais um floco de neve que regava o inverno. O chão estava coberto por inteiro e o conservatório de música fechava para o natal. Any, era assim que todos haviam me apelidado, proveniente de Anya. Eu descia correndo a grande escadaria central de madeira tentava alcançar meu professor de harmonia: Chekhov. Era um homem que se vestia de maneira muito pomposa, sempre com um belo par de sapatos e um relógio de bolso, sua aparência séria era resultado de uma alma fechada e erudita: um homem muito elegante e de tez extremamente clara. Bom, digamos que este mesmo senhor não possuía muita simpatia por mim, não devido a minha aparência, mas sim pelo meu perfil muito contestador. Fisicamente eu era até simpática; cabelos ruivos e ondulados, mantidos sempre curtos, algo extremamente ousado tendo em vista que todas as outras mulheres possuíam cabelos que lhe vestiam os ombros; minha cor era clara e avermelhada devido ao frio intenso; olhos cor de mel que brilhavam o tempo todo.

-Mestre! – exclamei ao chegar ao final de um lance de escadas. O senhor Chekhov apenas virou os olhos com um leve movimento, como se não lhe interessasse saber quem lhe chamava.

-Céus, o que foi desta vez senhorita Sierakowski? – disse ainda virado para frente.

-Eis aqui minha composição... Aquela que havia perdido em meu caderno durante a aula.

-O prazo para me entregar era até o termino da mesma, sabes disso, por que abriria uma exceção a esta regra ainda mais para a senhorita?

-Pois o senhor sabe que sou uma aluna extremamente dedicada em aprender canto e eu adoraria ter um histórico acadêmico impecável!- falei ao esboçar um sorriso de sarcasmo em meu rosto.

-Sei muito bem... Por isso mesmo dar-te-ei uma chance de desfrutar de seu anseio não almejado. - exclamou a virar-se totalmente e descer as escadas enquanto ria quietamente.

Não conhecia muitas pessoas ainda no conservatório, mesmo estando lá a cerca de dois anos. A maioria eram rapazes, nada mais natural, só conversava com minha irmã durante o ano letivo, minha mãe não autorizava amizades masculinas. Seu nome era Lubmilla, cursava piano: ela tinha o cabelo castanho que descia aos seios e chegavam-lhe a cintura, pele um pouco mais amorenada que a minha, olhos escuros e amendoados. Seu maior sonho era tornar-se uma bailarina, porém havia idealizado muito tarde. Lubmilla era mais fácil de lidar do que eu, porém era um tanto mimada por ser a filha mais nova. Ela era a mais bela, a mais querida entre a maioria das pessoas, respeitava as vontades de meus pais, no entanto, quando soube que eu havia conseguido convencer nossa família ao autorizar a minha entrada no conservatório de música, fez o mesmo iniciou um ano depois. Lubmilla era um bom partido.

-Lubmilla!-gritei ainda da escadaria para minha irmã que passava perto.

-Any, o que queres?

-Minha irmã, já arrumou suas coisas?

-Ainda não, mas estava indo fazer isso nesse instante.

-Sabes que o conservatório vai fechar ao final do dia, e agora já passa das três horas.

-Sim, mas mudando o foco da conversa, conseguiu entregar sua composição a Chekhov?

-Aquele senhor é um crápula, deu-me uma resposta desaforada e saiu andando.

-Achas que não alcança um bom resultado?

-Não sei, tudo depende do humor de Chekhov. Pois, vamos agora, Dominique estará nos esperando em casa!

Lá estávamos nós, duas irmãs muito diferentes descendo as escadarias grandiosas do conservatório enquanto puxávamos, empurrávamos e carregávamos nossas pequeninas malas. Todos estavam se despedindo entre os corredores, a maioria das tochas que iluminavam o ambiente já estavam sendo apagadas pelos funcionários do local: era a maneira gentil e eficaz de expulsar a todos.

-Ali Lubmilla, chame aquela!- falei ao apontar uma das últimas carruagens que restavam.

-Senhor!- gritou minha irmã ao fazer sinal com a sua mão - Aqui!

-Mas o que duas moças fazem neste conservatório de música recheado de rapazes?- foi a primeira coisa dita pelo chofer.

-Música, senhor! Eu estudo canto e minha irmã piano.

-Nada convencional, minhas damas.

-Por isso que é tão fascinante. – retruquei-lhe ao bater a porta de sua carruagem.