terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Olhos grandes.

Olhos grandes, você roubou minhas palavras.
Aquelas que rodavam o mundo,
agora estão ali, abandonadas.
Sua lente esta posta em mim,
distorcendo a minha visão de tudo.
E, como se pudessem, os olhos que pareciam
sinceros, dissimularam meu mundo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mudança social.

Olá, provável 4 pessoas que leem este blog. Mudei o formato do soldiminuto para obter maior interação. Caso prefiram o design anterior, voltarei a usa-lo. Gostaria de pedir que comentassem nas publicações, agora que é possível. Desde já obrigada por lerem, espero que se divirtam.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Para envolver o pescoço.

Presenteei com um colar no natal
o homem que me deu ilusão.
Aquela ilusão doce de apaixonado,
com beijo e andar de mãos.
Nosso jazz era um tango, cheio
de fugas e mentiras.
Dei aquele colar como uma chave,
chave das minhas agonias.

Cotidiano ambivalente

Todo dia eu penso em desistir
de tentar gostar de você.
Com a mesma frequência eu
entrego o meu coração.
Todo dia você me agoniza
e me sufoca.
Sufoca com falta de noticia
e por me abraçar forte.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desemprego pessoal

O que eu fiz com isso tudo?
Tenho dom para estragar as coisas,
as melhores coisas.
Quando o mundo assusta não
é difícil fugir.
Dos amores que estraguei, o que
me entristece foi aquele Pimentel.
Nas outras coisas sou acomodada,
finjo à mim que faço o meu melhor.
O que eu fiz com isso tudo?
Pareço ser indigna ao meu cargo,
meu cargo de pessoa.
Ser matéria e pensamento
custa para quem filosofa.
Não vivo, não sou humana.
Eu acabo quando as coisas começam,
eu nunca existi.

Verão

O ar árido e quente
anuncia falsa tempestade.
O Sol que arde a pele
brilha contra a vontade.
Nenhum eclipse salvará,
ele chega em 139 anos.
Nenhuma nuvem se arrisca,
nem mesmo com alguns cantos.
As preces entediam o pai.
Ele escuta isso todos os dias
Chora e arde, não vai chover.
No concreto não vai anoitecer.
Reza, cangaço; reza, cidade.
O outro dia vem para raiar.
Reza, Antônio; reza, Marina.
Como se a reza fosse adiantar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O sangue pesa demais
para os meus musculos quebrados.
Os ossos rangem.
Sou o sinônimo de mediocridade.

mediocridade

me.di.o.cri.da.de
sf (lat mediocritate) 1 Estado ou qualidade de medíocre. 2Poucos haveres, mas suficientes; mediania. 3 Falta de mérito, vulgaridade. 4 Pessoa ou coisa medíocre.

Nota estranha

As notas estão te fazendo mal.
Deixam-na febril e com urticária.
Você é a dissonância do eixo,
aquela não resolvida, desnecessária.
A sequência soa bem quando você
não tensiona a música.
Sua nota é grave e pesada,
a melodia é leve e aguda.
Ninguém resolve a sua perturbação
e, sozinha, não passa de uma segunda,
segunda menor.
A coisa mais próxima de você
é você mesma, cromático indesejável.
És um crime no contraponto modal.
é apenas uma cacofonia contemporânea
de uma péssima música tonal.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Egoísmo da madrugada.

Edgar estava de noite. Escutava
música francesa enquanto tomava
café de madrugada.
O quarto onde estava era pequeno
e mal mobiliado, quem ligava?
Haviam coisas mais importantes,
como a caixinha de recordações.
Ela guardava cartas que, outrora,
recebera, nunca mais se repetiu.
O violão desafinado o encarava,
suplicando alguns dedilhados.
Edgar mantinha-se à escrever.
Era a única forma de tirar Sofia
da cabeça, passava para o papel.
Sofia não era bonita, mas inteligente.
Quase ninguém a notava,
mas Edgar notou.
Esse fora o pior erro dele.
Outro homem, mais rápido,
namorava-a.
A luz mantinha-se apagada.
Sofia não falava mais com Edgar,
a distância doía roubando a atenção dele.
A paixão pode ser muito egoísta,
uma noite inteira para Sofia, sem Sofia,
é algo injusto.
Edgar pretendia parar com isso, estava
esperando o sentimento esgotar-se.
A caixa de recordações recebia
a luz da lua.
Ele lembrava o tempo todo de coisas de amor.
Sofia.
O violão ficava apagado e chorado.
Edgar tinha esquecido de todo o resto,
exceto Sofia.