sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pessoas

Dou-me conta, hoje, no auge
da minha mocidade que relacionamentos
não são para mim.
Minha mente que é, em demasia, densa,
usurpa minha alma não podendo depois
ser divida.
Nunca amei, mas não posso dizer que
nunca sonhei com isso.
Pessoas normais relacionam-se e até
namoram.
Pessoas como eu flertam à distância
e, mesmo quando belas, não conseguem
concretizar relacionamentos.
A incapacidade de estabelecer
intimidade é evidente e atrapalhada;
incoerente.
As ambições são individualizadas,
o anseio por romance é idealizado.
Existe mais poesia constante que
realidade plausível.
Os sonhos e a insanidade beiram o limite
entre os sentidos e o exterior.
A arte está em tudo, até nos corpos dos
amados; isso quando a repulsa e o medo
da intimidade ainda não se manifestam.
Os calos são mais doidos, as emoções ficam
dificeis de controlar, somos desequilibrados.
Por vezes a parte animal se revela, gerando assim,
a vontade de romance.
Dura pouco, até perceber que as pessoas
decepcionam.
A vida parece insuficiente, mas a ausência dela
deprime em um dia de chuva.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Paradoxo da existência

As vezes a vontade não basta
para mover um corpo estático.
A inércia, por vezes, requer um
força maior do que o habitual.
Então quando o sentimento de
frustração aparece, torna-se
mais difícil o movimento.
A mera existência não é suficiente
no mundo, espera-se ação e reação.
Assim, a agonia aparece, bloqueando
até os pensamentos, deixando
a existência cada vez mais superficial.
Logo não existe mais matéria, não é mais
uma questão de ninguém,
e a massa é um fardo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ácido

Ele está virando veneno,
cada dia mais.
No começo da amizade era
apenas senso crítico e
uma leve arrogância;
agora ele escorre de todos
os modos a acides contida.
A amizade já é por obrigação,
o respeito é por cautela e
o afeto é escasso.
Ninguém continuaria assim,
todavia se mantem por interesse.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Inércia mental

Nada acontece na minha mente.
A música não sai mais,
a música não entra mais.
A distração é constante
e nada disso provem de paixão.
Pensei que era depressão,
não era.
Pensei que era fome
e pensei que era insônia.
Contudo a ideia fixa é
a presença do tédio.
As palavras custam a sair
quando se vê televisão.
O corpo não consegue
tirar-se da inércia do sofá
e dormir é quase inevitável.
O poema vai calejado e o
cérebro um poco reconfortado.

domingo, 17 de julho de 2011

Ensaio sobre o casamento

O desencadeamento desse ensaio fora gerado pelo ressente casamento de uma colega. A jovem ainda iniciava-se na vida adulta, na realidade o que a iniciou fora o casamento. Ela morava em uma cidade do interior e participava de uma igreja, ela e seu namorado. Quando passara no vestibular veio para capital em prol de prosseguir com os estudos, veio sozinha e com uma promessa feita; foi aí que eu conheci a garota. Os meses iam passando e nada da minha colega mostrar-se ansiosa com o casamento, na realidade as provas de percepção musical lhe causavam maior nervosismo do que o aproximar da sua data conjugal. Fora uma coisa que a maioria das pessoas não conseguia entender, esse comportamento acarretava dois pensamentos distintos: o primeiro era que a jovem não amava o noivo e pouco importava o dia, o segundo era que ela já estava tão acostumada com a ideia que não lhe causava insônia. A data chegou, casou-se. Tão jovem, tão acostumada, tão sorridente. O sorriso era involuntário, na verdade era uma risada, parecia que ela ria da situação, não estava entendendo muito bem o motivo da festa. No dia seguinte todos só conseguiam pensa nisto e que a menina religiosa teria perdido a virgindade na noite de núpcias. Isso tudo me fez pensar, como o casamento acontece? Como as pessoas escolhem outras para dividir suas coisas, tristezas e toalhas? E o principal, qual o motivo do casamento? Não é mal dos tempos de hoje, todavia não acredito no amor, esse amor que nos é feito engolir quando crianças, mesmo eu adorando historias românticas. Se não é o amor, qual a razão disso? O que as pessoas levam em conta para decidir que aquela é a pessoa com quem ela vai se casar? No caso dos religiosos é mais fácil, os pais escolhem, o filho aceita e espera amar um dia o cônjuge. E as pessoas normais, sem religiosidade? Qual a sensação de estar casando? Eu jurei a mim mesma que nunca iria descobrir isso, não sou muito fã de ver a mesma pessoa com uma intimidade tão grande assim ao ponto de ao vê-la usando o banheiro juntamente comigo. Entretanto, alguns fatores de praticidade fizeram-me repensar isto. Fora o seguinte: estabilidade. De forma alguma a estabilidade era algo essencial para mim, tanto que música é o meu curso, contudo ter uma base financeira oferece mais segurança para viver. Saber que tem alguém ali preparado para quando você for despedido, isso deve fazer um bem que só. O casamento é uma sociedade empresarial com direito a sexo e demonstrações de afeto que não me agradam. Você deve beijar a pessoa mesmo que ela não tenha escovado os dentes, isto é algo intolerável para mim, eu mal posso com a minha intimidade. Posso entender perfeitamente a teoria das cordas e acordes napolitanos, contudo o casamento é um dos maiores mistérios da humanidade que eu anseio desvendar; sem casar.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

São João de minutos

Era dia de prova e de São João.
No outro prédio a festa se arrastava;
estava jogada às moscas e quentão.
O contraponto adiava a noite do arraial,
e Tereza ainda passava mal.
Até que terminou, meio que a contra
gosto, o último contraponto com uma quinta.
A música da festa comporovava a erudição
do publico, São João é com chorinho.
A festa girava em torno de uma barraca,
a única montada a tempo.
Ô, era alegria que não acabava,
a dança, a pipoca, o quentão,
até o aluno bonito de gravura animava
Tereza.
Escorrengando no sax é algo divertido;
Ernesto tinha que descobrir isto.
Alegria interrompida, o telefone
de Tereza tocando.
Era hora de ir-se embora.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mistérios sócio-científicos

As pessoas tentam sempre encontrar uma razão maior para as coisas,
sem nem mesmo saber direito o que são essas coisas.
Deus, o Big Bang, o amor; o homem é o único animal que acredita nessas coisas.
Bom, talvez os elefantes tenham outra teoria para a criação do universo
e os seus rituais de acasalamento.
O fato é: desde que o pudor e os valores foram impostos todos nós
seguimos uma busca insaciável pelo grande amor e por desvendar os mistérios
do cosmo. Constantemente atribuímos valores às coisas que nos cercam, possibilitando,
assim, uma futura desilusão quando percebemos que realmente não era o que idealizamos.
Quando falamos de pessoas isso é inevitável.
O amor, sem dúvidas é uma das coisas que mais me intriga. Pessoalmente não
acredito em sua existência, seja ela materna ou conjugal. Para mim nada mais
é que o instinto de proteção da espécie agindo juntamente com a costume à presença
alheia. Em outros tempos eu defenderia veementemente o contrário, todavia,
alguns anos que me somaram levemente à fronte, fazem-me pensar na total irrealidade do amor.
''O amor, l'amour, amore, love'', fora uma invenção coletiva para poder copular
sem sentir culpa por ter necessidades animais. Claro, o ser humano não é um animal,
somos a imagem e semelhança de Deus, não podemos praticar o sexo sem ser
a fim de reproduzir; não podemos querer comer doce, é pecado; por isso que, nós,
semideuses, estamos destruindo o mundo. Mas voltemos.
Minha relação com as outras pessoas sempre foi atrapalhada, quando pequena
eu nunca conseguia fazer amigos, hoje eu não consigo ter relacionamentos.
O pensamento exacerbado é uma coisa que atrapalha. Eu, como humana século XIX
que sou, tendo a negar a existência da minha parte animal, contudo o amor para
mim é besteira. Percebi aos poucos, quando tentava me relacionar amorosamente
com os outros. Falavam ''Eu te amo'', mas nunca saia isto da minha boca; geralmente
estes relacionamentos terminavam pois eu era ''fria''. O ato sexual também é algo
complicado para mim. Minha mente, aquela século XIX, diz-me '' o sexo deve ser feito com
quem se ama'', eu não amo, logo a virgindade é a unica saída para uma mente
cheia de pudores e descrédula. Eu tentei encontrar o amor, de verdade, nunca deu certo.
Em um primeiro momento eu encontrava um macho disponível, analisava fisicamente a
fim de saber se me era atraente, conversava, buscava traços semelhantes de
personalidade e gostos, beijávamos e em um mês acabava. Acabava quando
eu notava que não bastava só gostar do cérebro do meu parceiro. A casca que
antes me atraia começava a ser vista de outra forma; ''os poros dele são
muito grandes'', ''o nariz é oleoso'', ''ele toma banho?''. Essas são
as 3 coisas que geravam o meu afastamento. Muitos devem pensar que é
totalmente supérfluo, mas era apenas eu constatando que não poderia
amar um animal. Sentia repulsa quando percebia que eles
sentiam vontade de copular comigo. Se o amor é algo tão grande e transcendental,
precisa sobreviver na forma de sexo? Não consigo viver essa vida
pensando que sou apenas um animal, eu sou pensamentos. Mesmo o amor
sendo uma idealização e mentira social é um pensamento incoerente e nada aplicável,
logo descarto esta teoria. O amor não existe, por favor não me provem
o contrário.
Em relação ao universo não tenho muito o que acrescentar, mas quando
eu terminar o curso de física moderna que pretendo iniciar um dia, falarei
mais sobre o assunto.
Agora, Deus? Digo apenas uma palavra: ENERGIA.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Relações estreitas

Não era traição, mas ele sentia como se fosse tal coisa. Não a amava, muito menos amava a sua professora, mas a relação entre as duas lhe incomodava em demasia. Ela, Julieta, era beneficiada de todas as formas, suas qualidades também eram exacerbadas pela, não tão velha, professora Alice. Algumas más línguas já diziam que se tratava de interesse sexual. O fato era: Alice presenteava, ajudava, contemplava e roubava para Julieta de forma nada ética. A predileção era evidente e anunciada para os outros alunos. Ele fazia parte da turma e era o melhor amigo de Julieta; todavia o ego da mesma era tamanho que compactava a já restrita auto-estima do jovem amigo. Ele sentia como se fosse um intruso no mundo, que, discretamente fora construído pelas duas. A troca de cartas entre Alice e Julieta fazia com que o jovem se desfizesse; a agonia era tanta que ele sentia vontade de gritar, rasgar todas as coisas, e machucar a todos. Ele, em outro momento, tentara uma aproximação com a sua professora, no entanto fora falha. Aconteceu no aniversário de sua maturidade. Elas estavam lá, mas se fecharam em um pequeno grupo social. Ele sofria todos os dias, chorava os calos da vida social e de sua subjetiva
falta de capacidade. A opção de silêncio que fizera provocava-lhe falsos sorrisos na presença de Alice, falso bem estar na frente de Julieta, e, também, a sua prisão interna de melancolia.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Cachorros bípedes

Estava na sala de aula,
observando.
Não só apenas a aula,
Mas todas as peças
que a compunham.
É engraçado observar as pessoas.
Somos os animais mais adestrados
que existem.
Punimo-nos, agradamo-nos
e mentimos por um osso.
Somos cachorrinhos, nem sempre
com pedigree, de nós mesmos.
Na tal aula não corria diferente.
Quando algo era chiste, cada um dos
animais humanos procurava um
outro para cruzar o olhar e rir em conjunto.
Quando algo surpreendia o mesmo acontecia.
Pude notar o quão carente somos, e também
o quão ‘’cachorrinhos’’ acabamos ficando.
Não gosto muito de cachorros.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Síncope

Segurava-me
por mais um compasso.
Então, meio torta e,
até dissonante por horas,
eu ficava soando.
Às vezes eu notava que
eu começava a desaparecer,
suavemente.
Tudo ao final de mim se
resolvia, eu já não
estava mais lá.
Segurava-me em outro compasso.